Entre os presos durante uma operação da Polícia Federal na Terra Indígena Ventarra, em Erebango/RS, estão duas lideranças indígenas de grupos rivais. A ação ocorreu na madrugada desta quarta-feira (13/05) e prendeu 10 envolvidos em conflitos na região.
Segundo a PF, oito homens foram encaminhados ao Presídio Regional de Passo Fundo, enquanto duas mulheres foram levadas para a ala feminina do presídio de Soledade. Dois dos investigados também tiveram prisão em flagrante decretada por posse irregular de arma de fogo.
Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão — 14 na Terra Indígena Ventarra, três na área urbana de Erebango e um na Terra Indígena de Ligeiro, em Charrua. Foram apreendidas armas de fogo, munições, carregadores e outros equipamentos que, segundo a PF, eram utilizados no contexto dos conflitos.
A investigação apura crimes ligados ao conflito entre indígenas e produtores rurais da região. Conforme a investigação, o impasse começou após a ocupação de áreas agrícolas vizinhas à reserva, em 2025, com o objetivo de ampliar o território indígena e buscar uma futura demarcação das áreas.
Os desentendimentos evoluíram para confrontos armados, que resultaram em três homicídios consumados, além de tentativas de homicídio, invasões e depredações.
Conflitos armados tem sido frequentes na Terra Indígena Ventarra, em Erebango. Há um mês, uma mulher de 32 anos ficou ferida depois de ser baleada. O fato aconteceu após a saída das equipes da Força Nacional e da Polícia Federal.
Em novembro de 2025, uma outra mulher morreu depois de ser baleada durante um conflito armado que também deixou dois agricultores feridos. À época, 11 pessoas já haviam sido presas por suspeita de envolvimento no conflito.
Outros conflitos também foram registrados em setembro e outubro. Em um dos casos, um indígena foi morto tendo como motivação uma disputa pelo cacicado da terra indígena. Já no outro, o confronto durou mais de duas horas e dezenas de tiros foram disparados. Um dos presos foi atingido na perna.
Fonte: GZH Passo Fundo ? Foto: PF