Com caixão simbolizando o luto pelo agro, abertura da Expodireto é marcada por manifesto de agricultores nesta segunda-feira (09). A agricultura no Rio Grande do Sul sempre foi um desafio para os produtores. No entanto, os últimos cinco anos são apontados pelo setor como os mais difíceis da história recente. Enchentes, secas e outros desafios trouxeram dívidas para os produtores.
Neste cenário, um grupo de produtores realizou um protesto antes da abertura oficial da Expodireto 2026 , em Não-Me-Toque. Os agricultores chegaram carregando um caixão, cruzes pretas e uma faixa destacando o momento delicado vivido pelo agro.
Com camisetas pretas e a frase “Luto pelo Agro”, o grupo foi recebido pelo presidente da Cotrijal, Nei Cesar Mânica.
Uma das organizadoras disse que plantar e enfrentar secas é um desafio que traz reflexos severos para o setor. Além do clima, os custos altos e o baixo rendimento desestimulam a atividade. Ela explicou que o movimento “Securitização Já” não é partidário, mas sim um grito de socorro para quem alimenta o Brasil com o trabalho no campo.
Este movimento já realizou diversos protestos, destacando a ação na região de Tio Hugo, pelo alto número de cidades participantes. Disse ainda que o grupo traz a mensagem de que, se o agro não lutar, ele vai morrer.
O deputado federal Pedro Westphalen, que mais tarde foi colocado na Calçada da Fama da Expodireto, falou com a Uirapuru durante o protesto sobre o pedido de securitização. Conforme ele, o Rio Grande do Sul é uma potência alimentar, mas hoje o Estado está na UTI e precisa de ajuda imediata. Disse que o movimento é legítimo e que os produtores precisam ser ouvidos.
Francisco Turra, que já foi ministro da Agricultura do Brasil, avaliou que a securitização é algo difícil de acontecer, e isso tem uma explicação. Enquanto ministro, no governo Fernando Henrique Cardoso, foi implementada a securitização em 800 mil contratos. Porém, naquela época os contratos financeiros eram dos produtores com o Banco do Brasil. Hoje, a maioria envolve instituições privadas, o que torna a negociação bem mais difícil, avaliou Turra. No entanto, há como fazer.
O deputado federal Pompeu de Mattos também falou sobre o momento de dificuldade do agro gaúcho. Disse que o Estado vive um drama climático, com uma sequência de secas e depois enchentes. Lembrou que um projeto de prorrogação das dívidas foi feito em Brasília. Há oito autores no projeto, que já foi aprovado pelos deputados. Os produtores não pediram anistia, mas sim fôlego para pagar.
FONTE : RADIO UIRAPURU